Plot twist sob medida

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Depois de um tempo perde a graça. Conhecer pessoas. Esquecer pessoas. Abrir espaço no peito, começar a enchê-lo, e, no fim, continuar a encarar o vazio. Uma preguiça descomunal surge só de cogitar a ideia de repetir o mesmo ciclo: oi, tudo bem, qual sua história de vida? E que vida…

Muitas conversas melodramáticas ao telefone com os amigos e incontáveis xícaras de café amargo depois – bem naquela época em que você jura de pés juntinhos que já desistiu –, acontece:

– Oi.

Cê vai se lembrar de dizer que a tal pessoa não fazia bem o seu tipo e que, de qualquer forma, nunca daria em nada. (Aliás, que tipo é esse que te fez contradizer todas as coisas que você dizia?) E num daqueles momentos aleatórios, que nem parecem grande coisa a princípio, você começa a admitir o engano – e que raramente esteve tão feliz por fazê-lo.

Verdade seja dita: há casos e casos. Mas, naquele dia em que cê deu uma chance ao destino – só uma, para não virar hábito – não teve volta. Seu plot twist tava ali, feito sob medida, quase como se você soubesse que nunca soube de nada até escolher outro caminho.

O que é amor para você?

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Duas semanas se passaram desde o fim das férias ou início das aulas – como preferir – e me encontro nesta situação. Não consigo mais prestar atenção nas aulas, mesmo se forem de meu interesse. Não consigo mais me entusiasmar com projetos, mesmo que sejam coisas que eu queira fazer. Não consigo me relacionar normalmente com uma pessoa, mesmo que isso seja algo muito fácil para mim.

E, apesar de toda essa novidade na minha vida, ainda consigo ver coisas bonitas acontecendo por todo lado.

Enquanto vasculhava o mundo virtual, ou melhor dizendo, olhava as publicações do Facebook, me deparei com várias cenas que valiam a pena ser exaltadas. O amor era explícito, contagiante. Quase palpável. Então fiquei pensando no que aquela simples imagem tinha, para ter feito com que eu me sentisse melhor. E eu encontrei a resposta.

Uma coisa que sempre me fascina – e, espero, sempre me fascinará – é o amor. Era evidente o quanto aquele casal se ama. E aquele amor era do tipo puro, do tipo que não pede nada em troca. Do melhor tipo.

Então eu fiquei pensando: poderia eu retribuir ao amor desse casal, fazendo outras pessoas se sentirem melhores em relação a si mesmas, da mesma forma que eles fizeram a mim? Poderia eu ser capaz de fazer o dia de alguém mais feliz oferecendo o tipo de amor mais puro? Então eu o fiz.

Para todos os meus familiares e amigos que eu tinha em minha lista de contatos, mandei uma mensagem dizendo “Te amo”, na esperança de que isso os fizesse felizes. Porém, algo estranho aconteceu. A maioria deles perguntou se alguma coisa havia ocorrido. Após explicar a todos que minha intenção era apenas expor meus sentimentos e melhorar o dia de alguém que precisava, recebi as respostas de volta.

Eu não entendi porque algo deveria acontecer para eu dizer “eu te amo” pra minha família e amigos.

Alguns, no entanto, apenas responderam de volta: “eu te amo”. Essas pessoas me animaram novamente. Vê? Não é necessário mais do que isso pra animar alguém. Estou me sentindo melhor agora, menos deprimido, mais amigável, mais entusiasmado.

Quanto àqueles que perguntaram se eu estava bem, se algo tinha acontecido comigo ou o que eu queria… Fiquei curioso para entender o porquê de terem reagido daquela forma. Será que essa simples frase, em seu sentido mais puro e sentimental, deveria ter outro significado?

Caro leitor, gostaria de lhe propor um plano: vamos levar o amor para lugares que precisam dele, sem querer nada em troca. Simples né? Pode fazer isso? Eu entendo que é difícil, mas é muito gratificante. Tire suas conclusões.

Converse comigo. O que é amor para você?


ESSE TEXTO FOI ESCRITO POR UM COLABORADOR ESPECIAL: CAIO CALIMAN CARVALHO.

Você tem gosto de liberdade

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(Man On The Side – John Mayer)

Dias atrás tentei começar essa história. Rascunhei num papel as coisas todas feitas de eu e você. As coisas todas que nunca tivemos pretensão de ser. Um daqueles rabiscos estranhos que eu vou guardar com carinho porque, sinceramente, quem mais entenderia essa bela confusão?

Tracei em linhas tortas os lençóis e os risos e os beijos e os cabelos presos entre abraços de tirar o fôlego e o desassossego e… Ah, se o tempo parasse um pouquinho para eu te arrastar de volta, te tirar dessa rotina que esmaga o que a gente tem de mais escandalosamente eufórico, a empolgação toda pelas coisas mais bobas.

Você tem gosto de liberdade, meu bem. E tem esse hábito incômodo de fazer tudo parecer simples demais – e tornar tudo simples demais. A variação mais estranha que já conheci em se tratando de seres humanos.

E eu sou grata por isso.

Não fosse você e não fosse eu e não fossem todas as peculiaridades dessa história que já começou no meio, eu ainda estaria procurando por sentido nas coisas que, agora entendo, simplesmente são.

O que eu quero de você

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Antes de qualquer outra coisa, preciso deixar algo claro. É para que não hajam equívocos e que eu não cometa, de novo, o erro de achar que aquilo que me parece óbvio também o seja para você. Só me deixe dizer isto antes que o resto desande e a gente se perca no meio do caminho: eu não sou fã de joguinhos.

Pronto. Foi dito. Não é assim que as coisas funcionam por aqui. Então, não se assuste muito se, no meio de uma conversa boba, eu disser que te quero, te gosto ou que tenho saudades de você. Isso não significa que tô te pedindo em namoro, casamento, exigindo um status de relacionamento ou almoço na casa dos avós no domingo.

Eu só precisava falar que é para ver se ‘cê lembra disso nos momentos em que começar a ver demais nas coisas que eu faço ou digo. Para quando você sentir vontade de fugir porque parece que tá tudo acontecendo meio rápido demais, sendo que você ainda nem decidiu aonde tá indo.

Aliás, eu nunca entendi muito bem o porquê desse medo que surge quando um dos lados demonstra que se importa, mesmo que um pouquinho. Se importar não é o mesmo que dizer te amo. E, se for, tudo bem. Ninguém morre disso. Mas, calma. Eu não te amo. Amor, para mim, demora mais um pouquinho. E nem é o que espero. Se fosse, garanto, cê saberia.

O que eu quero mesmo de você é outra coisa. É sinceridade – ainda que machuque. Eu juro, dói bem mais alimentar falsas esperanças. A verdade é só o que peço. Porque entrar no mundo de alguém é o tipo de coisa que deveria vir sempre com um ou dois avisos. E, por ora, deixo tudo esclarecido.

Naquele dia, eu fui minha

Créditos: Tumblr

(Change – Orla Gartland)

A coisa engraçada sobre a vida? As coisas nem sempre acontecem como previmos, ou, se formos mais honestos, imaginávamos. Eu, por exemplo, não sabia que era possível me sentir tão livre como no dia em que ignorei as paranoias aqui dentro e dancei com meus piores medos.

Em determinado momento, todas aquelas coisinhas que me impediam de fazer justamente o que eu queria, desapareceram. Naquele dia, eu fui minha. Completa e inegavelmente minha. Eu não fui filha, irmã, amiga ou qualquer coisa que eu deveria ser por quem quer que fosse. Eu era minha. Dona do que eu fazia e sentia – por mim.

É um negócio bonito viver por alguém, ser porto seguro de outra pessoa, mas, vez ou outra, é preciso lembrar que a nossa própria vida também está acontecendo – aqui, agora, e não em um momento futuro que é só especulação – e requer atenção, um cuidado especial.

O descaso mata. E morrer aos poucos, por negar-se a oportunidade de experimentar as sensações que a vida tem a oferecer, é triste – e particularmente desanimador.

Não era bem o que eu pensava…

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[Comme des Enfants – Coeur de Pirate]

Quando eu era criança – não lembro bem a idade, mas, era aquela época em que a gente ainda acredita em tudo – eu queria muito crescer. Na minha cabeça, se eu crescesse, eu poderia fazer qualquer coisa. E ninguém poderia impedir.

Eu poderia, por exemplo, sair por aí quando quisesse e não dar satisfações a ninguém. Poderia viajar sozinha, poderia não comer os legumes no almoço, poderia ser o que eu bem entendesse e só precisaria dar conta de mim.

É… Não foi bem assim. Quero dizer, não totalmente. Ok, às vezes vou a algum lugar e não aviso a ninguém – mas, minha mãe enlouquece um pouco se não dou sinal de vida depois de um tempo. Esqueço que a salada existe e vez ou outra o corpo reclama. Aliás, eu não esperava que aos vinte já fosse ter dor de coluna causada pelas horas que passo sentada numa cadeira dura no trabalho. Ou que fosse trabalhar tanto.

Ou que teria contas para pagar. Louças para lavar. Uma pilha de roupas sujas que se acumula cada vez mais. Ou uma dor de cabeça que nada tem a ver com desidratação, mas, tentativas frustradas de entender as pessoas. Ou tantos problemas para resolver. Meus e dos outros.

Não vou mentir, é claro. Crescer também tem seus lados positivos. Quero dizer, agora ninguém regula quanto café eu tomo; sexo é ótimo; não ser barrada em lugar algum por causa da idade, também. Mas, percebo agora, é algo bem diferente do que eu imaginava quando era criança.

Crescer é liberdade, mas, acima de tudo, é responsabilidade. Responsabilidade pra caramba. Do tipo que às vezes dá nos nervos e deixa com vontade de jogar tudo para o alto e correr de volta para o abraço dos pais. O que é bem complicado se você mora longe.

Talvez o processo todo se torne mais fácil eventualmente, mas, por hora, eu aceito deixar todas as coisas que eu pensava de lado e ficar só com “estou aprendendo”. É que, sabe, a gente cresce aos pouquinhos. Tropeça, às vezes erra o caminho. Mas, ei, se é assim, quem sabe um dia eu também cresça aquele centímetro e meio?!


Foto por: Caroline Freitas

Eu quero sentir

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[Open Your Eyes – Snow Patrol]

Eu queria sentir nada. É isso. Queria passar por tudo e todos e não me importar. Seria mais fácil”. Se tem uma coisa que me deixa louca da vida é escutar alguém dizer que queria ser insensível. Geralmente a frasezinha frustrada vem depois de uma decepção qualquer – um coração partido, talvez? – de uma daquelas situações em que a gente jura que quebrou a cara e a culpa foi nossa, desde o princípio. Mas, ei, jogos geralmente requerem mais de um participante.

Então, seja um pouco mais gentil consigo e pare de tentar encontrar motivos para o que não era para ser. A vida já é complicada demais sem que você saia por aí com raiva do mundo só porque algo deu errado. A dor pode até ser real, mas, só porque algo machuca não significa que vai doer para sempre. Ou que você não vá sobreviver.

Afinal, as histórias todas que correm por aí não foram contadas por fantasmas. Mas, por gente que já viu que a vida tem muito mais a oferecer, desde que você mantenha os olhos  – e o coração – bem abertos.