Tô desistindo

garota-perto-do-lago

(You’ve haunted me all my life – Death Cab For Cutie)

Acho que eu continuo cometendo o mesmo erro, não é? Sigo agindo como se estivesse tudo certo, tudo bem, tudo ainda tem jeito… Mas, acho que tanto eu quanto você sabemos que não é bem assim. Tivemos nossa chance antes e jogamos tudo pro alto depois de um deslize que, hoje em dia, nem tem tanta importância.

Não deveria ser assim, sabe? As coisas não deveriam ter acontecido desse jeito. Não deveriam sequer ter acontecido. Mas, enquanto eu tô aqui, respirando o restinho do seu cheiro – que parece ter grudado de vez em mim – sabe-se lá em que dimensão você está.

Faz tanto tempo que deixamos de coabitar a mesma página nessa história que é quase espantoso que ainda exista tanta coisa no caminho, mesmo depois dessa gente toda que veio depois de nós. O nosso problema, eu acho, é que o nosso “depois” não aconteceu realmente. Não tivemos ponto final.

Talvez por isso eu insista. Talvez seja este o motivo pelo qual eu fecho os olhos diante de todos os motivos que tenho para que a gente acabe por aqui.

Fiz toda uma lista de prós e contras em meio às minhas anotações – pequenos lembretes para passar no mercado, terminar aquele trabalho, dar novo rumo à vida. Reuni todas as razões que eu tinha para dar fim a isto e atirei a lista longe sem pensar. Acho que, em se tratando da gente, renunciei ao bom senso. (Deve ser por isso que ando com a sensação de que tô desistindo de mim.)

[INDICAÇÃO] The Cake – Cafeteria e Bolos Artesanais

Parede com lettering da cafeteria The Cake

Como eu já disse um sem número de vezes, eu amo andar por aí. Andar, só por andar. Desacelerar um pouquinho e me dar tempo para reparar em coisas que, normalmente, não teriam captado minha atenção. E numa dessas caminhadas, encontrei The Cake, que é uma cafeteria e loja especializada em bolos e doces artesanais.

the-cake-cafeteria-bolo-e-cafe

Se a loja chama atenção pelos produtos – que são de encher os olhos – o cheirinho de café se espalhando pelo pequeno espaço é extasiante. O expresso servido na The Cake entrou quase instantaneamente na minha lista de favoritos. (O que não é pouca coisa se você levar em consideração meu óbvio vício em cafés e derivados.)

Os bolos, também, são sensacionais. É quase como um daqueles lanches de fim de tarde na casa da avó, sabe?! E tudo isso com um atendimento extremamente simpático e preço bem razoável. (Eles tem uma promoção gostosinha – ao bolso e paladar – com um expresso e  uma fatia de bolo por apenas R$5,00.)


The Cake – Cafeteria e Bolos Artesanais

Esquina da Avenida Resplendor com a Avenida Hugo Musso, na Praia da Costa, em Vila Velha/ES.

Horário de funcionamento: Segunda-feira – 12 às 18hs / Terça a Sexta-feira – 9 às 18hs / Sábado – 9 às 16hs.

[RESENHA] Depois do fim, de Daniel Bovolento

Depois do fim, de Daniel Bovolento

Uma hora ou outra, acontece. Acaba. Termina antes de sequer ter começado, ou, então, depois de um período que pode ter durado semanas ou uma vida inteira. Às vezes, parece tudo a mesma coisa aqui dentro.

E no meio desse processo todo de esquecer e lembrar e esquecer de esquecer alguém, Daniel Bovolento (autor de Por onde andam as pessoas interessantes? e criador do blog Entre Todas As Coisas) transformou o grito em livro. Lançado no dia 16/08, Depois do fim reúne cinquenta crônicas que tratam das várias fases do fim de um relacionamento.

Uma coisa que aprendi ao longo dos anos é que finais fazem parte da vida. E despedidas – sejam elas temporárias ou definitivas – sempre deixam uma sensação estranha na boca. Um gosto de não sei o quê misturado com quando-é-que-isso-vai-passar.

Tem gente que se demora por aqui, insiste em ficar mesmo depois de ter ido. Outros se vão de uma vez, para não voltar. Há aqueles que passam e deixam um vazio, e, também, os que ficam presos à gente nos pequenos detalhes, em coisas que nós fazemos – conscientemente ou não. O importante, no entanto, é isto: a vida deve continuar.

“Essas coisas são loucas e não têm hora marcada para acontecer (como eu queria que tivessem, mas não têm). Uma hora a gente esquece – graças a Deus, ninguém merece guardar tanta dor para sempre -, mas há de se deixar esquecer”.  (p. 154)

Ao longo das mais de 200 páginas que compõem o livro, Daniel destrincha pessoas e sentimentos em suas incontáveis variações. Ele é aquele que se vai, e aquele que fica. Ele é ele, é ela, e é uma infinidade de pessoas em situações que, tenho certeza, muitos de nós já enfrentaram ou virão a enfrentar em determinado momento. E, apesar do tema difícil, é uma leitura gostosa. As palavras fluem de uma maneira muito agradável entre um texto e outro.

Depois do Fim foi lançado pela Editora Planeta e já pode ser encontrado em livrarias físicas ou online.

Plot twist sob medida

tumblr_n1thmxobKD1syu37ho1_500

Depois de um tempo perde a graça. Conhecer pessoas. Esquecer pessoas. Abrir espaço no peito, começar a enchê-lo, e, no fim, continuar a encarar o vazio. Uma preguiça descomunal surge só de cogitar a ideia de repetir o mesmo ciclo: oi, tudo bem, qual sua história de vida? E que vida…

Muitas conversas melodramáticas ao telefone com os amigos e incontáveis xícaras de café amargo depois – bem naquela época em que você jura de pés juntinhos que já desistiu –, acontece:

– Oi.

Cê vai se lembrar de dizer que a tal pessoa não fazia bem o seu tipo e que, de qualquer forma, nunca daria em nada. (Aliás, que tipo é esse que te fez contradizer todas as coisas que você dizia?) E num daqueles momentos aleatórios, que nem parecem grande coisa a princípio, você começa a admitir o engano – e que raramente esteve tão feliz por fazê-lo.

Verdade seja dita: há casos e casos. Mas, naquele dia em que cê deu uma chance ao destino – só uma, para não virar hábito – não teve volta. Seu plot twist tava ali, feito sob medida, quase como se você soubesse que nunca soube de nada até escolher outro caminho.

O que é amor para você?

tumblr_obtu0cnGqA1vyo44uo5_1280

Duas semanas se passaram desde o fim das férias ou início das aulas – como preferir – e me encontro nesta situação. Não consigo mais prestar atenção nas aulas, mesmo se forem de meu interesse. Não consigo mais me entusiasmar com projetos, mesmo que sejam coisas que eu queira fazer. Não consigo me relacionar normalmente com uma pessoa, mesmo que isso seja algo muito fácil para mim.

E, apesar de toda essa novidade na minha vida, ainda consigo ver coisas bonitas acontecendo por todo lado.

Enquanto vasculhava o mundo virtual, ou melhor dizendo, olhava as publicações do Facebook, me deparei com várias cenas que valiam a pena ser exaltadas. O amor era explícito, contagiante. Quase palpável. Então fiquei pensando no que aquela simples imagem tinha, para ter feito com que eu me sentisse melhor. E eu encontrei a resposta.

Uma coisa que sempre me fascina – e, espero, sempre me fascinará – é o amor. Era evidente o quanto aquele casal se ama. E aquele amor era do tipo puro, do tipo que não pede nada em troca. Do melhor tipo.

Então eu fiquei pensando: poderia eu retribuir ao amor desse casal, fazendo outras pessoas se sentirem melhores em relação a si mesmas, da mesma forma que eles fizeram a mim? Poderia eu ser capaz de fazer o dia de alguém mais feliz oferecendo o tipo de amor mais puro? Então eu o fiz.

Para todos os meus familiares e amigos que eu tinha em minha lista de contatos, mandei uma mensagem dizendo “Te amo”, na esperança de que isso os fizesse felizes. Porém, algo estranho aconteceu. A maioria deles perguntou se alguma coisa havia ocorrido. Após explicar a todos que minha intenção era apenas expor meus sentimentos e melhorar o dia de alguém que precisava, recebi as respostas de volta.

Eu não entendi porque algo deveria acontecer para eu dizer “eu te amo” pra minha família e amigos.

Alguns, no entanto, apenas responderam de volta: “eu te amo”. Essas pessoas me animaram novamente. Vê? Não é necessário mais do que isso pra animar alguém. Estou me sentindo melhor agora, menos deprimido, mais amigável, mais entusiasmado.

Quanto àqueles que perguntaram se eu estava bem, se algo tinha acontecido comigo ou o que eu queria… Fiquei curioso para entender o porquê de terem reagido daquela forma. Será que essa simples frase, em seu sentido mais puro e sentimental, deveria ter outro significado?

Caro leitor, gostaria de lhe propor um plano: vamos levar o amor para lugares que precisam dele, sem querer nada em troca. Simples né? Pode fazer isso? Eu entendo que é difícil, mas é muito gratificante. Tire suas conclusões.

Converse comigo. O que é amor para você?


ESSE TEXTO FOI ESCRITO POR UM COLABORADOR ESPECIAL: CAIO CALIMAN CARVALHO.

Você tem gosto de liberdade

large

(Man On The Side – John Mayer)

Dias atrás tentei começar essa história. Rascunhei num papel as coisas todas feitas de eu e você. As coisas todas que nunca tivemos pretensão de ser. Um daqueles rabiscos estranhos que eu vou guardar com carinho porque, sinceramente, quem mais entenderia essa bela confusão?

Tracei em linhas tortas os lençóis e os risos e os beijos e os cabelos presos entre abraços de tirar o fôlego e o desassossego e… Ah, se o tempo parasse um pouquinho para eu te arrastar de volta, te tirar dessa rotina que esmaga o que a gente tem de mais escandalosamente eufórico, a empolgação toda pelas coisas mais bobas.

Você tem gosto de liberdade, meu bem. E tem esse hábito incômodo de fazer tudo parecer simples demais – e tornar tudo simples demais. A variação mais estranha que já conheci em se tratando de seres humanos.

E eu sou grata por isso.

Não fosse você e não fosse eu e não fossem todas as peculiaridades dessa história que já começou no meio, eu ainda estaria procurando por sentido nas coisas que, agora entendo, simplesmente são.

O que eu quero de você

porta-vermelha

Antes de qualquer outra coisa, preciso deixar algo claro. É para que não hajam equívocos e que eu não cometa, de novo, o erro de achar que aquilo que me parece óbvio também o seja para você. Só me deixe dizer isto antes que o resto desande e a gente se perca no meio do caminho: eu não sou fã de joguinhos.

Pronto. Foi dito. Não é assim que as coisas funcionam por aqui. Então, não se assuste muito se, no meio de uma conversa boba, eu disser que te quero, te gosto ou que tenho saudades de você. Isso não significa que tô te pedindo em namoro, casamento, exigindo um status de relacionamento ou almoço na casa dos avós no domingo.

Eu só precisava falar que é para ver se ‘cê lembra disso nos momentos em que começar a ver demais nas coisas que eu faço ou digo. Para quando você sentir vontade de fugir porque parece que tá tudo acontecendo meio rápido demais, sendo que você ainda nem decidiu aonde tá indo.

Aliás, eu nunca entendi muito bem o porquê desse medo que surge quando um dos lados demonstra que se importa, mesmo que um pouquinho. Se importar não é o mesmo que dizer te amo. E, se for, tudo bem. Ninguém morre disso. Mas, calma. Eu não te amo. Amor, para mim, demora mais um pouquinho. E nem é o que espero. Se fosse, garanto, cê saberia.

O que eu quero mesmo de você é outra coisa. É sinceridade – ainda que machuque. Eu juro, dói bem mais alimentar falsas esperanças. A verdade é só o que peço. Porque entrar no mundo de alguém é o tipo de coisa que deveria vir sempre com um ou dois avisos. E, por ora, deixo tudo esclarecido.